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NOTÍCIAS - Risco de um novo Apagão volta a assombrar o País
 

Os problemas de abastecimento de energia elétrica esperados para 2009 podem ser antecipados para este ano em função da longa estiagem nos reservatórios das hidrelétricas. A previsão é da diretora-executiva da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Patrícia Arce. “Com as dificuldades registradas pelas chuvas, os problemas de abastecimento de energia que o país poderia registrar em 2009 agora podem ocorrer já em 2008”.

Segundo a executiva, a situação do nível dos reservatórios do Sudeste e do Nordeste é tão grave que mesmo que a chuva volte normalmente a partir da próxima semana, somente no final de março o quadro estaria normalizado. Apesar disso, a Abrace ainda mantém a expectativa de que as chuvas voltem a partir da segunda quinzena de janeiro.

De qualquer modo, Patrícia Arce acredita que se prevalecer o pior cenário, o governo não terá outra alternativa a não ser intervir com uma política de racionamento. “Neste contexto pode ocorrer um direcionamento do gás natural que seria utilizado pelas indústrias para o consumo da população”, prevê.

Resignada com o eventual procedimento, Patrícia espera apenas que a Petrobras tenha uma política de compensação para o setor industrial. “Se isso ocorrer esperamos que a Petrobras possa vender óleo combustível pelo mesmo preço do gás, hoje mais barato que o óleo”.

O aquecimento da economia é outro fator que agrava a situação energética do País. De acordo com uma série de estudos da Frost&Sullivan, empresa internacional de pesquisa e consultoria de mercado, a atual estrutura não terá condições de atender a demanda energética do país a partir de 2010, visto que com o desenvolvimento econômico dos últimos anos, o consumo de energia aumentou no País.

Para se ter idéia, em 2006, de um consumo total de energia elétrica de aproximadamente 385 Twh, as indústrias eletrointensivas – são as que mais demandam energia, tais como as indústrias de ferro-ligas, mineração, papel e celulose, indústria química e cerâmica - consumiram cerca de 35% desta cifra.

Segundo o último relátório do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia brasileira poderá crescer cerca de 4,2% em 2008. Para o mesmo período, a Frost & Sullivan trabalha com um crescimento de 4,5% a 5% na demanda por energia elétrica no Brasil. A questão do gap oferta-demanda deve ser entendida através de uma série de fatores complexos como a grande dependência do Brasil na geração hidrelétrica, a dificuldade e lentidão de se fazer novos investimentos em geração de energia elétrica no Brasil. "Todos esses fatores desestimulam e dificultam os investimentos necessários para mantermos nosso parque de geração sempre em expansão e servindo ao máximo a demanda por energia", afirma Jorge de Rosa, analista responsável pelo estudo.

Segundo o analista, existem alguns obstáculos a serem superados. De forma breve, podemos dizer que melhorias nos tramites burocráticos-legais e no licenciamento ambiental são fundamentais. O governo também precisa tomar algumas ações além do que está programado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O programa prevê investimentos em geração de energia elétrica da ordem de R$ 65,9 bilhões até o ano de 2010, com um plus de R$ 20,7 bilhões para os anos pós 2010. Sem dúvida trata-se de uma soma significativa. "Contudo, acredito que o governo deveria incentivar mais a participação da iniciativa privada nestes investimentos. Além de capital extra, a iniciativa privada poderia também contribuir com outros pontos como novas idéias, melhores projetos e boa gestão", diz de Rosa.

A solução mais apontada para este problema é a diversificação da matriz energética. Porém ela não é a única alternativa. "Trata-se de uma opção de hedging, de divisão e diluição de risco. Depender muito de uma única fonte é sempre algo perigoso", revela de Rosa. Além da diversificação da matriz, o Brasil deveria também diminuir os entraves já citados, colocar mais esforços em diferentes estratégias de integração energética com outros países (tal integração caminha ao lado da diversificação) e avançar continuamente no aumento da atratividade para investidores. "Se trabalharmos em diferentes frontes, acredito que criaremos melhores condições e teremos um cenário mais favorável", finaliza o analista.

RESERVATÓRIOS

O nível dos reservatórios continua em queda, o que preocupa as autoridades do setor elétrico. O informativo preliminar do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), divulgado nesta terça-feira, 8 de janeiro, revela que o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste caiu para 44,8%, uma queda de 0,1 ponto percentual e está a 5% da Curva de Aversão ao Risco (CAR), que é de 39,8%.

Já no Nordeste, Sul e no Norte, entretanto, a situação é estável, mas na primeira região, o nível dos reservatórios é de apenas 27%. No Sul, a volume é de 74,3% do total. No Norte, de acordo com o ONS, o nível de armazenamento de água é de 30%. O relatório preliminar do órgão apontou também que o Sudeste exportou 2.353 MW médios para o Nordeste e mais 749 MW para o Norte.

Por sua vez, o Sul enviou ao Sudeste, 657 MW médios. Na segunda-feira, as usinas termelétricas consumiram mais de 6 mil MW em uma tentativa do ONS de conter a queda nos reservatórios devido à falta de chuvas. E m função disso, o consumo de gás natural pelas usinas termelétricas registrou aumento de 5,5 milhões de metros cúbicos por dia. Um relatório da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), aponta que em novembro o País consumiu 46,2 milhões de metros cúbicos diários.

 Fonte: www.portallumiere.com.br 

 

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